quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

ARQUITETURA E URBANISMO – CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA O desenvolvimento tecnológico originado pela consolidação da burguesia industrial com consequente fortalecimento do proletariado como força social provocou no período compreendido entre a Revolução Industrial e a Primeira Guerra o surgimento de uma nova conceituação de Arquitetura e Urbanismo. Considerada historicamente até então como parte das “Belas Artes” limitava-se à construção de obras que demonstravam o “ status “ das classes sociais dominantes. Com a necessidade crescente o uso racional dos espaços habitáveis e a tecnologia adequada a nova conceituação volta-se às exigências da sociedade como um todo a gradativa passagem da vida cotidiana da habitação urbana à incorporação dos espaços comuns cria o denominado “cliente anônimo” O novo cliente apresenta-se desde o século XIX e permanece em crescimento, uma vez que é inerente ao processo de urbanização. No Brasil o estilo arquitetônico inaugurado pela Imperial Academia de Belas Artes em 1826, perdurou até fins do século XIX e limitava-se quase sempre aos edifícios oficiais. No início do século XX as grandes concentrações urbanas criaram a necessidades de prédios de apartamentos em função de espaços reduzidos. No entanto, mudanças significativas de estilo arquitetônico ocorreram somente a partir de 1940, quando a limitação das importações causadas pela guerra estimulou a industrialização brasileira que proporcionou a evolução tecnológica necessária e básica para o surgimento da Arquitetura Brasileira Contemporânea. Assim a Arquitetura Brasileira Contemporânea caracteriza-se inicialmente pelo aproveitamento de recursos técnicos e econômicos oferecidos pela industrialização o surgimento das estruturas de concreto cria a possibilidade de exploração de grande vãos livres, a gradual substituição de produtos importados permite a renovação formal e funcional dos objetos e a sua adaptação à necessidades específicas e o consequente surgimento de novas áreas de trabalho e pesquisa ( como Desenho Industrial por exemplo). A 10 Bienal realizada em 1973 é considerada um marco na evolução da Arquitetura Brasileira. No entanto, se por um lado a produção arquitetônica brasileira atingiu nível internacional, por outro lado, as carências do pais em relação a questão habitacional e ao planejamento urbano se agravam. Historicamente a Arquitetura Brasileira está predominantemente centrada em profissionais de renome internacional – o que embora a tenha projetado internacionalmente – reflete-se na formação do arquiteto e urbanista no reforço da visão elitista e individualista preponderante hoje na sociedade brasileira. O verdadeiro projeto de Arquitetura e do Urbanismo deve ser a apropriação política do espaço a capacidade de integrar-se a equipes de trabalho na recuperação das cidades e no desenvolvimento da tecnologia de construção apropriada a realidade social brasileira. Hoje a grande tarefa da Arquitetura Brasileira deve se concentrar na ênfase da recuperação da qualidade de vida urbana – o que significa necessariamente a retomada do controle da gestão das mudanças e do desenvolvimento dos espaços urbanos – e na compreensão do papel do arquiteto urbanista na qualidade de técnico especialista deste processo entendendo a ciência como espaço de reflexão do habitat enquanto expressão da ação racional do homem, comprometida socialmente e construída coletivamente.

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